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Eu nunca erro!..

 

         Todos erramos várias vezes por dia. Existem erros em relação aos quais temos responsabilidade moral e erros em relação aos quais não a temos. Existem erros que ofendem a Deus e outros que não o ofendem. O erro do estudante que estudou é diferente do erro daquele que não estudou.

          Erros graves podem ser cometidos sem que se queira o resultado do erro: a) por imprudência (caso de quem deveria ter previsto algo e não previu), como ao dirigir veículo em velocidade excessiva; b) por negligência (deveria ter feito algo e não fez), como ao dar marcha-ré sem olhar pelo espelho retrovisor; e c) por imperícia (deveria ter feito melhor do que fez), como ao atrapalhar-se com os pedais do carro. Outros erros graves podem ser cometidos por quem quer o resultado do erro, seja agindo para que o mal aconteça, seja não o impedindo.

          Quando se é criança, nossos erros são apontados pelos pais, pelos professores, pelos adultos. É um processo importante para a formação da consciência. Ao nos fazermos adultos nossos erros são apontados pelos outros ou por nós mesmos (a voz da consciência bem formada acusa antes). Quem tem a consciência bem formada, evita errar, desvia-se das oportunidades de errar e quando erra, percebe que errou, sentindo-se mal por isso.

          Hoje, porém, nos deparamos com um fenômeno muito interessante: é cada vez maior o número de pessoas que se recusam a admitir que erraram. Detestam ser advertidas e se revoltam contra quem o faz. Consideram as faltas alheias como justificativas para as próprias faltas. Não admitem ser corrigidas ou aconselhadas por quem também cometa erros (e ninguém poderia advertir ninguém porque todos erramos).

           Sabe a razão disso, leitor? Porque a culpa produz uma sensação desagradável. Numa cultura onde o bem-bom vale mais do que o Bem, o sentimento de culpa é algo a ser evitado, não para que se evite o erro, mas porque a idéia de haver errado é desconfortável. Só que a noção de erro (e não raro o sentimento de culpa) são irmãos do arrependimento.

           Através deles a pessoa sabe que fez o mal. Pelo arrependimento a pessoa desejaria não o ter feito, detestou as conseqüências daquilo que fez, e se move (quando possível) no sentido da reparação do mal e ao pedido de perdão.

Infelizmente, o pouco movimento nos confessionários não é sinal de crescente santidade mas, bem ao contrário, é sinal dos tempos.

 JUNTE-SE A NÓS

                   

Os homens perguntam admirados: donde vem o mundo? Donde procede esta diversidade da vida? Quem decidiu sobre o curso dos astros que determinam o tempo do Verão e do Inverno, as sementeiras e as colheitas, o dia e a noite? Quem proporcionou a ordem às plantas e aos animais e concedeu a fertilidade à terra? Quem faz brotar a vida no seio das mães? O que é que existiu no princípio e qual será o fim?

Os homens que sofrem, queixam-se: Quem faz estremecer a terra e provoca as inundações? Quem retém as águas para secar a terra? Donde vem a desgraça, a doença, a morte? Donde vem o mal e quem lhe dá o poder de encher o coração humano? Acabará o mal por vencer o bem? Será a morte mais forte que a vida?

Em todo o mundo se ouvem as mesmas interrogações que angustiam os homens. Os mais sábios de entre todos os povos buscam uma resposta. Falam do mistério dos começos, das obras da divindade e da sua história com a humanidade: são os relatos das origens .

Os sacerdotes de Israel, iluminados pelo Espírito de Deus, formulam a sua fé em Deus, "criador do céu e da terra". Esta confissão de fé é tão importante que eles a situam no princípio da Bíblia.

Relatos das origens: Fala-se, por vezes, do "relato da criação" no princípio da Bíblia correndo o risco de interpretar o capítulo inicial do primeiro livro bíblico como a descrição mais ou menos exata dos acontecimentos relatados nesse primeiro capítulo. Quando se diz, por exemplo, que Deus criou o mundo em seis "dias" (fala-se dos seis dias de "trabalho" divino), a palavra "dia" não significa as vinte e quatro horas do dia. A imagem pretende sublinhar que com a criação de Deus, o tempo começa o seu percurso, e também que as diferentes criaturas ficam ligadas umas às outras. O texto que a Bíblia nos transmite não nos diz como é que o universo começou, mas quem é que o fez. O povo de Israel professa neste hino a sua fé em Deus, o qual existia antes do começo e que permanece fiel à sua criação até à sua consumação.